22.2.11
20.2.11
igreja adventista do 53º dia
Estavam nesse dia, contas feitas, cinquenta e três religiões na praça, contando com os arménios e os jansenistas. Assinaram-se na mais pacífica atmosfera do mundo cinquenta e três milhões de negócios [...]
Miscelânea, Voltaire
17.2.11
o desarme
N. Nós vamos ao cabeleireiro mas é para tu te portares muito bem! Não é como da última vez!!!
F. Está bem, mãe! Eu prometo que me porto bem!
N. Mas portas mesmo?! Ou é como da outra vez?!
F. Não, mãe! Eu desta vez porto-me mesmo bem! Prometo de certeza absoluta!
[…]
N. Estou muito triste contigo!!! Tu prometeste que te ias portar bem e portaste-te muito mal!!!
F. Ò mãe, eu prometi que me ia portar bem, mas não disse que era hoje…
15.2.11
valentines day with a new shampoo for you
saiu ontem e o meu já vem a caminho!
felizmente há homens com o Gruff que se lembram de dar prendas no dia dos namorados!!!
14.2.11
13.2.11
strangers in the mail
Recebi este e-mail! Sucinto, mas ambíguo. Será de um menino que estuda no sexto ano ou de um rapaz que vive num sexto andar?! Quererá ele propagar a música do jpp pelo mundo ou terá confundido o meu e-mail com o de uma estação de discos pedidos?! Andará o josé louco por uma francisca e enganou-se no endereço ou quererá o josé apenas propagar o seu gosto musical por endereços que encontra pela net?! Deverei eu responder ao josé informando-o que se deverá ter enganado no destinatário ou deixá-lo à espera de uma resposta que nunca virá da francisca que ele procura?! Esta gente deixa-me em cada posição...
12.2.11
nunca mentir depois dos 3
F. Ò mãe, mentir é feio, não é?!
N. É!
F. Eu só menti uma vez! E foi o ano passado!
N. Ai sim?! E em que é que mentiste?
F. Ò mãe… foi o ano passado! Já foi há tantos meses como é que queres que eu me lembre?!
20.1.11
queremos um autocarro de Sonhos ao Amor!
Crónias do autocarro#53
Ora bolas! Uma vez que não há nada mais fácil de arruinar do que uma quimera, fui cobardemente informado de que Sonhos é, efectivamente, uma localidade de Ermesinde e, mais concretamente, da freguesia de Alfena (o horror!...). Preferia, conforme imaginarão, ter sido mantido na mais estrita ignorância, mas não posso agora fazer de conta que não estou a par da realidade. Talvez, um dia, ainda vá a Sonhos, o que, em todo o caso, é um pouco improvável, já que a minha assinatura mensal dos transportes públicos (o passe post-moderno) não permite deslocações aos subúrbios. Terei, pois, que continuar a beneficiar da quotidiana transumância dos subúrbios, exactamente como sucedeu com a mulher que, ainda ontem (terá sido ontem?), pedia explicações relativas à chamada que tinha recebido no telemóvel, cuja origem não estava identificada, mas que, pelos vistos, partira de um indivíduo que lhe devia finezas. Por várias vezes ela perguntou ao homem por que é que ele tinha ligado de um número não identificado e para quem é que ele tinha estado antes a ligar de um número não identificado. Por quem, afinal, é que ele não queria ser identificado?
(se, acaso, o leitor estiver incomodado com a repetição da palavra “identificado”, saiba que eu a escutei vezes sem conta em cerca de dez minutos, pois a mulher não dizia mais nada e insistia na pergunta, over and over and over)
Como as explicações do sujeito não a satisfaziam, a mulher, a dada altura, revelou o verdadeiro teor da sua inquietação e perguntou ao homem, com toda a frontalidade, se ele tinha estado a ligar “para a outra”. Eu não me surpreendi com o desabafo e creio que também nenhum dos outros passageiros se surpreendeu com o verdadeiro motivo do drama da chamada não identificada. Os grandes sobressaltos existenciais dos transportes públicos são, ainda, deste teor. Os desempregados viajam, regra geral, em silêncio, remoendo o medo e a angústia do dia seguinte.
Manuel Jorge Marmelo
19.1.11
18.1.11
7.1.11
3.1.11
30.12.10
29.12.10
desaguar
A vida é frágil. Tudo na vida é frágil. Podemos fazer planos para amanhã e nunca os chegar a cumprir. A minha professora de filosofia do décimo ano, Cidália Fachada [tanto que eu podia escrever sobre a Cidália Fachada], dizia que temos sempre a ilusão de sermos imortais ao fazer planos para o futuro, mesmo que [muito] próximo. Independentemente disso, como uma boa iludida que sempre fui, tenho andado a elaborar uma lista de propósitos para o ano de 2011. E eu até sou boa a cumprir os meus desígnios de ano novo [também são bem regados de realismo]. Mas independentemente de o ano estar a acabar ou não, assim que possa vou cumprir um desejo - que não figura na lista - que me assombrou no dia de hoje. Vou ver o mar.
27.12.10
maus hábitos
quando se está mal habituado, a maior surpresa que se pode ter é não ter surpresa nenhuma!














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