e quando uma pessoa até acha que a vida lhe corre bem, eis que aparecem rapazes como o brandon que, em vez de 'pedir' a namorada em casamento enquanto come carapau assado e a ouve explicar à mãe que o casamento é só uma formalidade e que é sobrevalorizado, oferece à namorada umas Air Force 1 MUITO ESPECIAIS!!!
17.5.11
15.5.11
provincialismo e carros fixes
[...]
Num dos dias entrei no perímetro do Centro de Congressos do Estoril dentro de um belo carro, um Mercedes descapotável último modelo. Antes de tentar entrar na faixa de rodagem destinada ao parque de estacionamento reservado, precipitaram-se sobre mim, e o carro, vários polícias com sorriso e postura amável que indicaram a direção com grande espírito de serviço e boa educação. Em seguida, vários jovens de fatinho ofereceram-me o dístico de Parque, que me incluía no grupo dos eleitos, e instruções, sorrisos, senhora doutora para aqui e para ali, ocupando-se de me arranjar um lugar e de me ajudar a estacionar ao lado dos outros Mercedes e BMW. E nem era eu quem guiava. Ninguém me perguntou o que ia fazer ali ou se tinha direito a parque reservado. No dia seguinte, entrei no mesmo perímetro reservado ao volante de um velho Twingo com o dístico ‘dos eleitos’ bem à vista. Os polícias mandaram-me logo parar com ar carrancudo quando tentei avançar para o parque, apesar de ter o dístico bem colocado. Onde é que pensa que vai? Disse onde é que eu pensava que ia. Um jovem carrancudo, olhando o dístico do carro com reservas, foi buscar uma lista e perguntou-me se estava ligada a alguma instituição. Consultou a lista, olhou para o carro, consultou o colega, e comecei a passar-me. Já tinha mostrado uma identificação, um cartão com uma fita a atestar que era speaker, ele continuava a procurar um modo de me expulsar do reservado. Disse que ia apresentar o último orador, Mohamed El Baradei. Não se deixou impressionar. Aí, um dos outros subitamente baixou a cara para me olhar bem e reconheceu-me. Tudo mudou. Disse-me logo para passar. Outro polícia carrancudo olhava para aquilo com desconfiança. Lá entrei no parque. Ninguém me ajudou ou arranjou um lugar de estacionamento.
Este pequeno filme português também podia e devia ser apresentado não aos finlandeses, mas a todos os portugueses. É o traço comum do nosso subdesenvolvimento. Os pobres curvando a espinha e tirando respeitosamente o chapéu da cabeça perante os fidalgos da casa mourisca. E, para ser rico, neste país, basta ter um bom carro. É símbolo do status. Não admira que não haja empresário pato bravo que não queira ter um Ferrari Testarossa. Se eu entrasse de Aston Martin não era eu que apresentava o Baradei, era ele que me apresentava a mim, segundo a ontologia daquelas cabecinhas dos jovens de fatinho que pululavam. O fato de Francisco Fukuyama, por acaso, era dos mais amachucados. Se entrasse com ele no Twingo punham-nos fora.
[...]
Crónica: A mentalidade do criado, Clara Ferreira Alves
12.5.11
um conto infantil pelo DIAP de Coimbra
O arguido Helder […], no ano de 2010, não possuía qualquer actividade profissional; para angariar meios económicos para fazer face às despesas do seu dia-a-dia bem como às despesas com aquisição de estupefacientes, que consumia, dedicava-se, de forma reiterada e sucessiva, à prática de crimes de furto. Era useiro e vezeiro na abertura de viaturas e na subtracção de material nelas colocado, que posteriormente vendia ou trocava, disso fazendo modo de vida.
[…]
Em 7 de Setembro de 2010, entre as 16 e as 18 horas, o arguido decidiu abrir a viatura […] a fim de fazer seu o material de valor que ali encontrasse.
Em execução de tal propósito, aproximou-se da aludida viatura e, por forma não apurada, partiu o vidro da porta do lado direito.
De seguida, abriu a porta e do interior da viatura [X] retirou […]
Guardou consigo o material referido e, caminhando, afastou-se da viatura.
Nessa mesma tarde [Y][…]
Pelas 18h […]. Usando um alicate multifunções, destrancou as portas da viatura [Z]
Guardou consigo o material referido.
[…]
Helder […] agiu sempre de forma livre, voluntária e consciente.
Quis fazer seu o material diverso e auto-rádios que se encontravam no interior das viaturas X, Y, Z […] pertencentes a A, B e C, respectivamente, conhecedor de que não lhe pertenciam e que actuava contra vontade dos donos.
Bem sabia o arguido que aquelas condutas lhe estavam vedadas por lei e eram criminalmente punidas.
[…]
Guardou consigo o material referido e, caminhando, afastou-se da viatura.
Nessa mesma tarde [Y][…]
Pelas 18h […]. Usando um alicate multifunções, destrancou as portas da viatura [Z]
Guardou consigo o material referido.
[…]
Helder […] agiu sempre de forma livre, voluntária e consciente.
Quis fazer seu o material diverso e auto-rádios que se encontravam no interior das viaturas X, Y, Z […] pertencentes a A, B e C, respectivamente, conhecedor de que não lhe pertenciam e que actuava contra vontade dos donos.
Bem sabia o arguido que aquelas condutas lhe estavam vedadas por lei e eram criminalmente punidas.
[…]
4.5.11
3.5.11
guerra é paz
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| Chip East, reuters |
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| Eric Thayer, reuters |
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| Jim Young, reuters |
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| Chip East, reuters |
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| Jim Young, reuters |
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| Eric Thayer, reuters |
[…] eram quase onze horas, e evidentemente decidiu ficar no Departamento de Registos até acabarem os Dois Minutos de Ódio […]
Logo a seguir, um guincho horrível, doloroso, como proveniente de uma máquina monstruosa a trabalhar sem óleo, saiu da grande teletela. Era um barulho de fazer ranger os dentes e de pôr os cabelos em pé. O Ódio começara.
Como de costume, a face de Emmanuel Goldstein, o Inimigo do Povo, surgira na tela. Ouviram-se alguns assobios no meio do público. A mulherzinha de cabelo cor de areia deu um uivo misto de medo e repugnância. Goldstein era o renegado e traidor que, um dia, há já muitos anos (quantos ao certo ninguém se lembrava), fora uma figura proeminente do Partido, quase no mesmo plano que o Grande Irmão, e que entretanto se dedicara a actividades contra-revolucionárias, tendo sido condenado à morte, da qual escapara desaparecendo misteriosamente. O programa dos Dois Minutos de Ódio variava de dia para dia, mas, em todos eles, Goldstein continuava a ser a personagem central. Era o traidor original, o primeiro a conspurcar a pureza do Partido. Todos os subsequentes crimes contra o Partido, todas as traições, actos de sabotagem, heresias, desvios, provinham directamente dos seus ensinamentos. Algures, no mundo, ele continuava vivo e a tramar as suas conspirações: talvez no além-mar, sob a protecção dos seus patrões estrangeiros; talvez mesmo – de vez em quando corria o boato – nalgum esconderijo na própria Oceânia.
[…]
Ainda não tinham decorrido trinta segundos, e já metade dos presentes soltava irreprimíveis exclamações de fúria. Era impossível suportar a vista daquela cara de ovelha satisfeita e do terrível poder do exército Eurasiano mostrado na tela: além disso, ver ou mesmo pensar em Goldstein produzia automaticamente medo e raiva.
[…]
No segundo minuto, o Ódio atingiu o delírio. As pessoas pulavam nos seus lugares e berravam a plenos pulmões, esforçando-se por abafar a voz alucinante que saia da tela. A mulherzinha do cabelo cor de areia ficara toda cor-de-rosa e abria e fechava a boca como um peixe fora da água. […]A morena atrás de Winston pusera-se a berrar «Porco! Porco! Porco!» De repente apanhou um pesado dicionário de Novilíngua e atirou-o à tela. O livro atingiu o nariz de Goldstein e fez ricochete: a voz continuou inexorável. Num momento de lucidez, Winston deu conta que ele também estava a gritar como os outros e a bater os calcanhares, violentamente, na travessa da cadeira. O horrível dos Dois Minutos de Ódio era que, embora ninguém fosse obrigado a participar, era impossível deixar de se juntar aos outros. Em trinta segundos deixava de ser necessário fingir. Um horrível êxtase de medo e vingança, um desejo de matar, de torturar, de esmagar rostos com um malho, parecia percorrer todo o grupo, como uma corrente eléctrica, transformando o indivíduo, contra a sua vontade, num louco a uivar e a fazer caretas.
mil novecentos e oitenta e quatro, george orwell
alma minha gentil que te partiste*
Eu posso compreender que os americanos, vendo em osama bin laden o culpado dos massacres do 11 de setembro, fiquem satisfeitos com a sua morte. Mas… saírem para a rua como se a selecção tivesse ganho o mundial???!!! Por favor… estamos a falar da morte de um ser humano [por muito desumano que o mesmo pudesse ser] e estamos, principalmente, a recordar a trágica morte de centenas de pessoas. Como é que de um fardo tão pesado se passa para uma festa de final de campeonato?! É incrível a lavagem cerebral que estas pessoas levam para chegarem a este ponto…
*camões
se você diz, eu acredito!
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| Naseer Ahmed/Reuters |
Ontem o mundo acordou com a notícia de que o bin laden estava [finalmente] morto. Não foi preso, foi morto. Ainda que não me pareça o mais correcto – para o bem e para o mal ele deveria ser julgado - vamos acreditar que efectivamente foi porque ofereceu resistência e não havia outra hipótese. [não deixaram nenhuma testemunha viva. Todas as 4 pessoas, inclusivamente a ‘mulher’ que ninguém identifica, foram assassinadas. O bin laden, o mensageiro e o filho do mensageiro foram assassinados porque ofereceram resistência, a misteriosa mulher foi assassinada porque a usaram como escudo humano. Apenas 3 pessoas a oferecer resistência e os vários [quantos?!] soldados não os conseguiram controlar tendo de os assassinar…]
O corpo foi atirado ao mar??? Perseguem-no inundados num ódio de morte que dura há uma década, assassinam-no e depois… têm em conta a sua religião e a ‘necessidade’ de um ‘’enterro’’ rápido?! Isso faz muito sentido…
Perante isto, a minha teoria é: “eu também apanhei um tubarão de 53k, mas depois atirei-o ao mar. Acreditem em mim, porque eu estou a dizer.’’
Ah!!!! Mas fizeram-lhe testes de ADN!!! [eu não fiz testes de ADN ao tubarão…] Aqueles testes que normalmente demoram vários dias e só podem ser feitos em laboratórios altamente especializados! Mas de certeza que o helicóptero em que o transportavam para o atirar ao mar estava equipado com o melhor laboratório móvel de verificação de ADN e com super-ultra-mega-céleres cientistas!
E com que é que compararam o ADN para comprovar de que se tratava mesmo de osama bin laden?! Pois… Foi com o ADN retirado de uma irmã dele que morreu em boston há alguns anos com um tumor cerebral. Todos os membros do exército andavam com um pedacinho de ADN da irmã do bin laden no bolso, não fossem conseguir apanhá-lo e ter de, em pouquíssimas horas, provar que aquele era mesmo o osama!
Por favor… a manipulação das notícias pode ser ao melhor nível, mas precisamos de um bocadinho mais. Não nos façam de estúpidos!
2.5.11
lirismo
«Pego no jornal, leio a notícia: «Os pássaros cantam mais alto na cidade por causa do barulho», e esta notícia é tão bela que parece ter sido resultado da observação de um poeta.»
Crónica: O medo de uma nova explosão, Gonçalo M. Tavares
29.4.11
dia do pedrinho
Hoje a família real inglesa tentou ofuscar o aniversário do pedrinho! Ou talvez não tenham encontrado um dia mais especial para se casarem que não fosse o mesmo do aniversário do meu irmão-do-coração. A minha vontade de escrever aqui umas palavras bonitas é infinita, mas o cansaço varreu-me qualquer ponta de inspiração. Então, numa excepcional batota, vou recolocar aqui as palavras de há 2 anos atrás, que são as que melhor descrevem o pedrinho e a nossa relação.
Aqui fica, em forma de recuerdo e de parabéns!
Eu e o Pedrinho somos uma família dentro da família. O Pedrinho não é só meu irmão. O Pedrinho é de tudo! O Pedrinho já foi inúmeras vezes meu pai. Até minha mãe o Pedrinho foi sendo! E também meu filho! Por vezes confunde-se com um melhor amigo. E agora até meu compadre é! Muita gente tem irmão, mas não tem a sorte de ter um Pedrinho. Às vezes pedem-me que explique. Não consigo… é maior do que nós. É entendermo-nos no silêncio e respeitarmos o irrespeitável. É adivinhar os sorrisos e saber de cor os gostos. É sempre, pelo menos, tentar. É a partilha no seu mais puro estado. É dar do que se pode e inventar o que não se tem. É ser tão bom como se fossemos nós. É querer tanto como se fosse a nós. É ser de frente o que é. É o esforço todo por um nada. Por vezes é simplesmente saber. É ter estado sempre lá quando mais ninguém sequer se lembrou. Foram os abraços nas vitórias e a força nos desânimos. Foi um contínuo acreditar. É ser o primeiro. É ser mesmo o único. E são sapatilhas. São muitas sapatilhas.
26.4.11
muitos meses numa semana
Nesta semana que passou, andei mais de bicicleta que em muitos meses da minha vida [o que eu amo cidades planas!], li mais que em muitos meses da minha vida! Dormi mais que em muitos meses da minha vida! Passei mais tempo com a natureza que em muitos meses da minha vida!
classe executiva
era uma vez uma família muito chata. o pai era muito chato. a mãe era muito chata. o filho era muito chato.
13.4.11
11.4.11
a insubjectividade da beleza está nos olhos dos que nos amam
Well you may not be beautiful
But it's not for me to judge
I don't know if you're beautiful
Because I love you too much
But it's not for me to judge
I don't know if you're beautiful
Because I love you too much
Stephin Merritt
[SM > RJ > FM > 53!]
have a nice day*
8.4.11
7.4.11
o suspense!
«Ontem estava a rezar e caiu-me o terço. Fiquei toda baralhada… já nem sabia em que mistério é que ia…»






































