| ilustração da fantástica joana rosa brangança |
15.3.12
13.3.12
se não me queres triste, serei melhor
dizia-me a minha querida margarida, e com toda a razão, que o Braga não me ia querer saber com remorsos e arrependimentos! e, como eu própria afirmei, aprendi uma grande lição. claro que isto de falar é fácil, mas não deixa de custar cá dentro. de qualquer forma, hoje, no final de um dia de muita [mesmo muita] emoção, decidi que a partir de amanhã [hoje já estou muito cansada] vou ser uma pessoa melhor! já comprei um rolo a preto e branco para estrear a minha nova máquina analógica. também comprei o meu primeiro cd de captain beefheart e vou revisitar as minhas amizades! até amanhã!
Para o Braga
On the other side of a mirror there’s an inverse world, where the insane go sane; where bones climb out of the earth and recede to the first slime of love.
And in the evening the sun is just rising.
Lovers cry because they are a day younger, and soon childhood robs them of their pleasure.
In such a world there is much sadness which, of course, is joy . . .
And in the evening the sun is just rising.
Lovers cry because they are a day younger, and soon childhood robs them of their pleasure.
In such a world there is much sadness which, of course, is joy . . .
Antimatter, Russell Edson
Um poema que o Braga adorava e onde encontro todo o sentido para o momento que vivemos. O Braga vai para o outro lado do espelho.
12.3.12
José Eduardo Braga, 1955 - 2012
Apanhou-me de surpresa pelo fim da manhã a morte do meu amigo José Braga. Durante bastantes segundos fiquei incrédula imaginando que fosse um equívoco. Mas não era…
O Braga foi-se embora… E ainda que muitas pessoas não conhecessem o Braga, deviam, porque o Braga foi um dos maiores radialistas portugueses! Reconhecido pelos da área, admirado por todos.
O Braga podia ser meu pai, porque tinha idade para isso! Mas teria sempre de ser meu irmão, porque… era o Braga! E quando a sua loucura extravasava, eu era quase mãe a tomar-lhe atenção aos exageros!
O Braga era uma enciclopédia de música, a mais completa! Mas era sobretudo uma enciclopédia de vida! E os abraços?! Os [a]braços apanhavam-me quase pelo pescoço, apertavam-me e afagavam-me a alma. O Braga gostava de mim, que eu sei! E as suas manifestações de carinho eram constantes! Quer nestes abraços feitos de encontros casuais, quer nos corredores que entre-cruzavam as nossas segundas casas. Mas também pelas mensagens e referências com que me brindava regularmente. Música, livros, filmes, séries. Tudo de topo.
Chateava-me com ele quando acabava de repente com os seus blogs! Mas aguardava o próximo, que seria sempre melhor!
Quando me disse que ia abandonar a rádio, não acreditei. Não o levei a sério. Acho que ainda hoje estava à espera do seu regresso, que nunca imaginei tão demorado.
E os gatos?! Partilhávamos histórias e imagens do Atum e do Kafka! O Kafka Leonardo! Um senhor gato! Um senhor gato cuja entrada na idade sénior foi alvoroçada por Elvis Ratinho, há meia dúzia de anos atrás! Donamiga! Era o que ele dizia que eu era para o Atum! Donamiga!
José Braga, um grande mestre, que não acreditava em mestres! Um dadaísta! Um louco! Um génio!
O eterno Hugo Panzer, co-autor do meu programa de rádio favorito! Abridor de horizontes musicais!
A voz!
Mister B., meu companheiro de longas noites [longas].
J., sempre com uma palavra reconfortante naqueles momentos em que eu ia mais abaixo do que ele gostava.
As madrugadas eram dele. E por isso, muitas manhãs acordei com as suas palavras.
Gabava-me as nuvens. Tratava-me em francês e em inglês. Era mademoiselle e sua dear! Era sua querida e sua amiga. Era a F.
Partilhávamos O’Neill e ele sempre me pediu que fotografasse mais a preto e branco. “A imaginação faz o resto. Para tanta cor basta olhar para este mundo à nossa volta…”
O Braga tocou a vida de tanta gente… Haverá algo de melhor para deixar?!...
As homenagens multiplicam-se nas redes sociais e eu só me consigo sentir uma merda, porque não o procurei durante tanto tempo… durante tempo demais…
Lembrava-me dele. Porra. Ainda a noite passada à procura de livros na minha estante olhei para um enorme livro que me ofereceu e sorri . Sorria muitas vezes ao lembrar-me dele! E nunca neste tempo fui capaz de lhe enviar um e-mail, de o convidar para um chá de lhe perguntar porque andava ele tão ausente. Deixei-o partir assim… é um massacre ainda maior, que com certeza me fará aprender alguma coisa.
Adoro-te, Braga! Desculpa não to dizer há tanto tempo…
11.3.12
24.2.12
justitia
Hoje foi finalmente o julgamento do Hélder, o rapaz que me assaltou o carro em Setembro de 2010!
Hum?! Como?! ... Ah!... Desculpem! Afinal ainda não foi hoje... É que o Hélder está preso [nunca imaginei que pudesse acontecer com ele] e só avisou esta manhã que tinha sido notificado para estar no tribunal e, naturalmente, É muito em cima da hora para o trazer agora para cá!. E assim, foi com enorme proveito que estive uma hora e meia em frente à sala de audiências sentada numa pedra bem fria a ver passar mulheres escoltadas pela polícia a fazerem manguitos [soa melhor que pirete, não soa?!] às testemunhas! Voltamos lá em Maio, que já está mais quentinho! Isto, claro, se o Hélder não se esquecer!
3.2.12
serviço público
caixa geral de depósitos. onze horas da manhã. sete funcionários - à vista. vinte cinco minutos. três pessoas atendidas. duas, pelo mesmo funcionário. volto para a semana.
30.1.12
20.1.12
stuttgart
Está a nevar!!! Nevou-me nos braços esticados!!! No meu blusão, no pom pom do meu gorro havia neve!!! Fiquei tão feliz que até me esqueci que um par de horas antes torci o pé nas escadas do museu da mercedes e estive deitada nas escadas a tentar não desmaiar com a dor! A empregada do bar da mercedes foi uma querida. E pela quarta vez na minha vida tive de beber um café. Infelizmente, desta vez, não foi para dar sangue... Agora estou a fazer gelo no meu tornozelo inchado e besuntado com voltaren schmerzgel, enquanto os meninos fazem o jantar! Acho que já não vou esquiar amanhã...












