17.8.06

a transbordar

Um camarão frito e os carros a passar. A água mansa e a tosta mista linguística das emigrantes grandes e pequenas. Ir, ir, ir, ir até as moedas acabarem. Arroz-doce. Dormir na pedra debaixo do céu. Dizer gasolina em espanhol. Captar os inéditos à rotina. Dormir nuns lençóis estranhos debaixo de um tecto estranho ao lado de umas paredes estranhas. Oferecer o brinquedo simbólico. Parar à sombra para ler uns quantos capítulos. Correr para a caixa do correio. Dormir na areia ao lado do mar. Sentar junto das ovelhas a especular. Tomar um banho fetal. Ouvir a música. Escrever as moradas nos envelopes emoldurados do vermelho e azul. Polir o Mali. Ouvir o damon albarn. Uma broa recheada. Ir no comboio e voltar para trás. Alguém à espera na estação. Alguém à espera no jardim da casa. Açorda de marisco. Um beijo. Amendoins. Caldo verde. Andar descalça no alcatrão velho. Comer amoras nos caminhos de terra. Acampar no meio das canas. Papel de celofane. Ervinhas moçambicanas. Atirar grandes copos de água. Trepar pelas muralhas. Sentar no sofá abandonado à beira da estrada. Ir comprar pão quentinho. Vasculhar os livros dos outros. Cabines de telefone públicas. Cadernos rabiscados. Eiras abandonadas. Nadar de costas. Comer cereais à mãozada.

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